Resumo Texto 13 - Anderson, Chris (2006) “The Long Tail” - III
A Economia da Reputação
Surge a questão: porquê criar algo de valor sem um plano empresarial ou uma simples remuneração? Em primeiro lugar, não há um modelo económico único que se aplique. No topo da cauda temos a tradicional economia monetária, no meio temos uma confluência, e no final da cauda, onde os custos de distribuição e produção são baixos, as pessoas produzem pelo simples divertimento, experimentação, modo de expressão. Pode-se considerar que é uma economia porque há uma moeda de troca que pode ser tão motivante como a remuneração monetária: a reputação.
De realizadores de filmes a bloggers, produtores de todos os tipos que se iniciam na cauda com poucas expectativas de sucesso comercial, decidem arriscar, uma vez que não é necessário pedir autorizações nem planos empresariais. Desta forma, a Long Tail promete torna-se um meio para as ideias e a criatividade terem lugar, para mais tarde se desenvolverem em algo comercial.

A Arquitectura da Participação
Toda esta história é-nos familiar: nos anos 70, a combinação da guitarra eléctrica e dos gravadores multifaixas baratos, permitiu a emergência de bandas em que o talento não era a prioridade principal, mas sim o facto de se poder gravar e mostrar a sua música. Até à altura, pensava-se que os músicos tinham de passar pelo processo de aprendizagem de formação musical, e depois começar primeiro por imitar os artistas conceituados. Com o estilo punk-rock, surgiu a concepção de que o importante era ter algo a dizer, sem ser sequer necessário dominar bem os instrumentos.
Através do punk-rock, a indústria e o público testemunharam o surgimento de novos sons, novas caras e a inspiração proveniente de se assistir ao sucesso de pessoas comuns. Em termos económicos, o punk-rock baixou as barreiras para a criatividade.
A linha tradicional entre produtores e consumidores está-se a desvanecer. Consumidores são agora também produtores. No mundo dos blogs, fala-se em “ex-audiência”: leitores que passaram de consumidores passivos para produtores activos. O resultado é o que foi denominado de “Nova Arquitectura da Participação”, esquema que demonstra como a estrutura da indústria se alterou, deixando de ser constituída por profissionais que produziam e amadores que consumiam para ser um mercado “misto”, onde qualquer pessoa pode fazer parte de qualquer um dos lados. Esta é uma das consequências profundas da democratização das ferramentas de produção e distribuição.












