segunda-feira, dezembro 18, 2006

Resumo Texto 13 - Anderson, Chris (2006) “The Long Tail” - III

A Economia da Reputação

Surge a questão: porquê criar algo de valor sem um plano empresarial ou uma simples remuneração? Em primeiro lugar, não há um modelo económico único que se aplique. No topo da cauda temos a tradicional economia monetária, no meio temos uma confluência, e no final da cauda, onde os custos de distribuição e produção são baixos, as pessoas produzem pelo simples divertimento, experimentação, modo de expressão. Pode-se considerar que é uma economia porque há uma moeda de troca que pode ser tão motivante como a remuneração monetária: a reputação.

De realizadores de filmes a bloggers, produtores de todos os tipos que se iniciam na cauda com poucas expectativas de sucesso comercial, decidem arriscar, uma vez que não é necessário pedir autorizações nem planos empresariais. Desta forma, a Long Tail promete torna-se um meio para as ideias e a criatividade terem lugar, para mais tarde se desenvolverem em algo comercial.



A Arquitectura da Participação

Toda esta história é-nos familiar: nos anos 70, a combinação da guitarra eléctrica e dos gravadores multifaixas baratos, permitiu a emergência de bandas em que o talento não era a prioridade principal, mas sim o facto de se poder gravar e mostrar a sua música. Até à altura, pensava-se que os músicos tinham de passar pelo processo de aprendizagem de formação musical, e depois começar primeiro por imitar os artistas conceituados. Com o estilo punk-rock, surgiu a concepção de que o importante era ter algo a dizer, sem ser sequer necessário dominar bem os instrumentos.

Através do punk-rock, a indústria e o público testemunharam o surgimento de novos sons, novas caras e a inspiração proveniente de se assistir ao sucesso de pessoas comuns. Em termos económicos, o punk-rock baixou as barreiras para a criatividade.


A linha tradicional entre produtores e consumidores está-se a desvanecer. Consumidores são agora também produtores. No mundo dos blogs, fala-se em “ex-audiência”: leitores que passaram de consumidores passivos para produtores activos. O resultado é o que foi denominado de “Nova Arquitectura da Participação”, esquema que demonstra como a estrutura da indústria se alterou, deixando de ser constituída por profissionais que produziam e amadores que consumiam para ser um mercado “misto”, onde qualquer pessoa pode fazer parte de qualquer um dos lados. Esta é uma das consequências profundas da democratização das ferramentas de produção e distribuição.

Resumo Texto 13 - Anderson, Chris (2006) “The Long Tail” - II


Fenómeno WIKIPEDIA

Em Janeiro de 2001, Jimmy Wales teve a ideia de criar uma extensa enciclopédia online de uma maneira inovadora: recolhendo os conhecimentos de milhões de “especialistas amadores”, semi-especialistas e cidadãos comuns. Esta enciclopédia seria gratuita e seria desenvolvida não por especialistas remunerados mas por qualquer pessoa que quisesse contribuir para a mesma. Naturalmente isto foi alvo de controvérsia. Daniel Pink escreveu: “Em vez de delinear claramente a autoridade, a Wikipedia depende de uma descentralização radical e de uma auto-organização; open source na mais pura das suas definições. (…) Um modelo de produção diferente cria assim um produto fluído, rápido e gratuito.”. Pelo ano de 2005, este produto sem fins lucrativos era já a maior enciclopédia do planeta, oferecendo mais de 1 milhão de artigos em inglês. Considerando todas as línguas, é constituída por 3 milhões e meio de artigos.

Tudo o que é necessário para contribuir para a Wikipedia é o acesso à Internet: todos artigos têm a possibilidade de serem editados. Ao contrário de qualquer outra enciclopédia, na eventualidade de se estar insatisfeito com a informação apresentada, é agora possível a qualquer pessoa “corrigi-la”.

A Wikipedia é alvo de muitas críticas que defendem que os artigos não têm autoridade, ou seja, podem estar incorrectos, o que é inevitável quando qualquer pessoa os pode alterar. Ao contrário da Enciclopédia Britannica, em que todas as entradas são revistas e trabalhadas pelos profissionais responsáveis. Ainda hoje há dúvidas quanto à questão de se poder ou não confiar totalmente na Wikipedia, debate esse para o qual não há uma resposta certa. Considera-se então que numa pequena escala há de facto erros e incorrecções, mas o que denota a grandiosidade e sucesso da Wikipedia é o efeito na big picture, como um todo.

A Wikipedia, como o Google, trabalha através de uma lógica de probabilidades estatísticas; uma questão de “deverá ser” em vez de “é concerteza”. Este sistema probabilístico não é perfeito, mas está estatisticamente optimizado para ser melhorado ao longo dos tempos, e pequenos erros ao nível “micro” é o preço a pagar por uma grande eficiência comprovada a grande escala. Terá a Wikipedia autoridade? Talvez não, mas a Britannica, por exemplo, também não é infalível, e ao contrário dos seus leitores, que têm de esperar pela próxima publicação para verem os erros corrigidos, com a Wikipedia tudo é actualizado e corrigido numa questão de minutos.

O autor defende que a Wikipedia deve ser vista como um site onde se pode explorar informação, e não uma fonte definitiva de conhecimento.
O mesmo se aplica aos blogs, que também fazem parte da Long Tail, cuja qualidade é sempre diversificada. Deve-se ter o cuidado de se ler informação de variados blogs antes de decidirmos acreditar num determinado facto.

Tal como o Google, a Wikipedia faz ligações que provêm da matemática. A Internet é um mercado de ideias, governado pelas leis da estatística. Os pequenos erros são produto da percepção humana que a matemática não prevê.

O Poder da Peer Production


Como um todo, a Wikipedia é sem dúvida a melhor enciclopédia do mundo: a maior, mais actualizada e muitas vezes melhor ilustrada. Mas ao nível individual de cada artigo, a qualidade varia. No entanto, mostra uma grande resistência em relação a vandalismo e batalhas ideológicas. Um estudo da IMB descobriu que o tempo que leva à correcção de um artigo importante (ou seja, mais procurado ou mais controverso) é de 4 minutos. E isto não é fruto do trabalho de uma “polícia” profissional da Wikipedia: contra tudo e todos, o sistema parece funcionar de forma exemplar.


A questão é que nem todos os artigos individualmente são probabilísticos, mas toda a enciclopédia comporta-se dessa forma, e permite auto-melhorar-se e corrigir-se quase de forma instantânea. Claro que num sistema probabilístico, alguns artigos serão óptimos, outros serão medíocres, mas a questão aqui é que a Wikipedia funciona como uma comunidade viva e atenta, sem cair na anarquia.
A grande vantagem desta enciclopédia é o facto de ser constantemente actualizada a todos os minutos, e conter ligações a informação e material adicional e complementar.

Os seus autores tendem a envolver-se entusiasticamente e mostram uma grande motivação pela oportunidade de melhorar a compreensão pública sobre determinado assunto que lhe interessa. Em cinco anos, esta população de autores cresceu extraordinariamente graças à invasão destes amadores que têm acesso às ferramentas de produção.

Este é o mundo da “peer production”, um fenómeno da Internet de voluntariado em massa. Quando as ferramentas estão disponíveis para todos, todos se tornam produtores.

Resumo Texto 13 - Anderson, Chris (2006) “The Long Tail” - I


O autor foca-se nas implicações do conceito denominado “The Long Tail”, que descreve um novo modelo económico e empresarial e que explica o poder crescente dos nichos de mercado perante os “grandes” da indústria. “A cauda longa” representa o formato do gráfico gerado: os “grandes” ocupam o topo, mas os nichos/independentes podem por vezes ultrapassar a dimensão dos “grandes”.
O autor defende então a importância que a crescente democratização das ferramentas de produção (que permitem o desenvolvimento desses nichos) tem na indústria.

Um dos primeiros exemplos dessas ferramentas é o projecto SETI@home, através do qual milhões de cidadãos comuns, voluntários, scanam informação captada por telescópios, em busca de sinais extraterrestres. Com isto, estes “amadores” dão uma ajuda fundamental à NASA nesta pesquisa, e tudo o que precisam é de um computador e de um screensaver especial, programado para o efeito. A propósito deste projecto, o historiador científico John Lankford escreveu: “Haverá sempre uma diferença entre profissionais e amadores. Mas no futuro será cada vez mais difícil distingui-los.”.

Este fenómeno é visível noutras áreas: softwares para PC possibilitam a qualquer pessoa a criação de vídeos e música em casa. No que diz respeito à palavra escrita, os blogs permitiram um boom nas “publicações” amadoras: milhões de pessoas actualmente publicam diariamente para um público que é maior do que o público dos media tradicionais individualmente. Mais uma vez, foi a democratização das ferramentas de produção que o permitiu, com a disponibilização de software simples e barato que tornaram as publicações online acessíveis a qualquer pessoa.
Também na indústria de Hollywood este fenómeno é visível: antigamente, o talento acabava por encontrar as ferramentas; agora é o oposto.

As consequências de tudo isto é que as pessoas estão a passar de consumidores passivos para produtores activos, e numa variedade de áreas diferentes: blogs amadores a partilharem a atenção do público com os media tradicionais, pequenas bandas a lançarem a sua música online sem contrato discográfico, consumidores comuns a dominarem o mundo das reviews online.

Quando se desvenda o que está por detrás de determinado produto, e quando as ferramentas para a sua produção são acessíveis, há uma tendência para a inspiração e a criação. Hoje, milhões de pessoas tem o acesso necessário e podem-se assim tornar produtores amadores. O efeito a longo prazo é que a Long Tail terá um aumento sem precedentes.

Heibidge; Dick (2004) Subcultura. El singnificado del estilo. Barcelona, Buenos Aires e México: Paidós.

Análise do texto 15 da Sebenta.

De uma forma breve e resumida, este texto aborda a questão do estilo como homologia e das subculturas existentes na década de 60, grupos e estilos de vida, assim como o que os difere do cidadão comum (à época).

Barthes: estilo “subcultural” vs estilo “normal”.

Umberto Eco: a importância dos objectos numa cultura, como meio de comunicação e signo, para transmitir a mensagem dessa mesma cultura.

A comunicação feita pelas subculturas é mais eficaz com a ajuda de acessórios e estilos que a identifiquem. Assim, a mensagem não “visualmente” esquecida.


“El Bricolage”: Ciência do concreto:
Resposta ao mundo que nos rodeia, seguindo um pensamento “primitivo” e abstracto.
Apenas cívico.
Pensamento e análise desprovida de lógica que nos encaminha para:
“Estruturas improvisadas”: respostas “ad hoc”, que servem para estabelecer homologias e analogias sobre a organização e funcionamento de determinada sociedade, explicando a relação humana de uma forma satisfatória, tornando o mundo habitável.

“Bricolador subcultural”:
Objecto e significado que constituem um signo.


Punks:
O que os caracteriza:
Vestuário provocador; aparência fora do contexto considerado “normal”; quanto mais invulgar e diferente, melhor.
Música rock e pop, maioritariamente.
Este grupo de uma subcultura excêntrica, comunica através do seu estilo invulgar e chocante, assim como através da música e jornais unicamente produzidos por Punks.
Transmitiam uma linguagem medíocre e ausência de valores.
Relação de homologia entre o vestuário e o penteado, assim como as suas manifestações mais desagradáveis (como vómitos), as atitudes descabidas de bom senso e a música “sem alma”.
Rosto “mascarado” que esconde a expressão de uma sociedade fragmentada e desigual.
Subcultura caracterizada por transformações de produtos, valore e atitudes seguindo um objectivo e sentido comum.

Homologia Hippy:
O que os caracteriza:
Sistema de valores alternativos.
Drogas; acid rock.
Meio e modo de estar na vida.


Skinheads:
O que os caracteriza:
Botas; cabeças rapadas; dureza; masculinidade; classe trabalhadora.
Racismo.


Estes três exemplos reflectem diferentes subculturas com práticas, interesses e mensagens distintas.
Três subculturas que defendem e ultrapassam problemas, também eles, diferentes.
Cada subcultura pode ser mais conservadora ou progressiva, estar mais integrada na comunidade ou não, respeitar mais ou menos os valores impostos pela sociedade e defender-se, ou não, contra a cultura imposta pela sociedade.


domingo, dezembro 17, 2006

McQuail, Denis "Mass Communication Theory" - Resumo cap 15 - 1ª Parte III

Novas Questões – principais assuntos e problemas que têm marcado o pensamento e a investigação sobre as audiências dos media de massas

1 - Uso dos media como dependência – o uso excessivo dos media tem sido muitas vezes visto como danoso, levando à dependência, dissociação da realidade, redução dos contactos sociais e alteração da educação.

2 - Audiência de massas e atomização social – a questão de se dever ou não tratar a audiência como um grupo social ou como uma massa de indivíduos isolados. Quanto mais uma audiência for vista como agregado de indivíduos isolados, mais pode ser considerada como massa.

3 – Comportamento da audiência: activo ou passivo? – a audiência como massa é passiva porque é incapaz de acção colectiva. Actos individuais de escolha dos media, de atenção e resposta, podem também ser mais ou menos activos. Sempre houve a tendência de se considerar o uso activo dos media como preferível ao passivo.

4 – Percepções alternativas dos media por parte das audiências – por um lado temos a audiência como mercado de consumo, por outro, temos a audiência em termos relacionais e normativos com uma finalidade comunicativa. Existe sempre um conflito fundamental entre os que praticam investigação quantitativa e os que defendem uma investigação qualitativa e intensiva.

5 – Implicações das novas tecnologias dos media - Há a questão do futuro dos media, especialmente como resultado das mudanças de tecnologia da comunicação. Um ponto de vista é o de que as audiências se tornem mais e mais fragmentadas e percam a sua identidade nacional, local ou cultural. Outra visão negativa dos novos media electrónicos é fortalecerem o potencial para o controlo social e a vigilância. Por outro lado, novos tipos de integração podem compensar a perda das velhas formas, e poderá haver uma melhor formação da audiência e uma maior liberdade e diversidade de comunicação e recepção.

McQuail, Denis "Mass Communication Theory" - Resumo cap 15 - 1ª Parte II


Perspectivas Críticas

As percepções da audiência podem ser influenciadas por visões negativas acerca dos media de massas em geral. Há quem assuma que a audiência e a cultura de massas estão ligadas ao mau gosto (a denominada “ideologia da cultura de massas”).
Dallas Smythe (1977) defendeu a teoria de que as audiências trabalham para os anunciantes (e opressores), ao dedicarem o seu tempo livre à observação dos media, o que é depois vendido aos anunciantes. A mesma audiência tem que pagar mais pelos seus media, através do custo extra adicionado aos bens publicitados: é plausível que os media necessitem das audiências mais do que o inverso. Mais recentemente acusa-se a indústria dos media de transformar a audiência real da TV num “índice de audiência”, que é descrito como uma construção singular, linear. Estas críticas classificam a visão industrial da audiência como desumanizada e exploradora.

Finalidades da Investigação sobre Audiências

- Contabilizar vendas
- Medir alcance real e potencial para fins de publicidade
- Manipular e canalizar o comportamento de escolha da audiência
- Procurar oportunidades do mercado das audiências
- Testar produtos e melhorar a eficácia da comunicação
- Ir ao encontro das responsabilidades para servir as audiências
- Avaliar o desempenho dos media de várias maneiras

As descrições da investigação de audiências tenderam a enfatizar a redescoberta das pessoas e a noção de uma audiência activa e obstinada face às tentativas de manipulação.

Tradições alternativas de Investigação

Jensen e Rosengren (1990) diferenciaram algumas tradições de investigação de audiências, ligadas aos efeitos; distinguem-se três variantes principais, intituladas: estrutural, comportamental e sociocultural.

Tradição estrutural de medições de audiência – as necessidades da indústria dos media deram origem aos tipos mais antigos e simples de investigação, para obter as quantidades desconhecidas. Para além da dimensão, era importante saber a composição social da audiência em termos básicos.

Tradição comportamental: efeitos e usos dos media – estudos sérios sobre os efeitos dos media foram estudos de audiência, que a consideravam exposta à influência dos media na aprendizagem ou nos comportamentos. Este modelo dos efeitos era um processo unidireccional. Em reacção a este, surge o estudo dos usos dos media, em que a audiência é vista como um conjunto activo e motivado de consumidores, e a investigação focava-se nas origens, natureza e grau de motivação na escolha dos media e seus conteúdos.

Tradição cultural e análise da recepção – enfatiza o uso dos media como reflexo de um certo contexto sociocultural e como processo de dar sentido a produtos culturais e a experiências do dia-a-dia. Esta escola envolve uma visão do uso dos media como sendo em si próprio um aspecto significante da vida quotidiana. Os fins da investigação mantêm-se de tal modo abstractos que só podem servir para propósitos manipulativos.

McQuail, Denis "Mass Communication Theory" - Resumo cap 15 - 1ª Parte I



Conceito de Audiência

A palavra audiência usa-se normalmente como termo colectivo para receptores (de acordo com o modelo do processo de comunicação de massas). No entanto há outras definições, uma vez que é um conceito que abrange uma realidade complexa e diversificada.
Regra geral, a audiência não é algo observável, e portanto o termo tem um carácter abstracto e questionável. A realidade a que se refere está sempre em mudança. As audiências são produto do contexto social e resposta a um padrão particular de provisão dos media. O uso destes reflecte também padrões do uso do tempo, disponibilidades, estilos de vida e rotinas.
Uma audiência define-se então pelo lugar (media locais), pelas pessoas (grupos etários, sexuais, políticos, etc), pelo tipo particular de meio ou canal envolvido, pelo conteúdo das suas mensagens e pelo tempo (manhã, horário nobre, etc).

Origens da Audiência

As origens das audiências dos media de hoje estão no público do teatro, espectáculos musicais, jogos. Nos tempos mais remotos, a audiência greco-romana tinha muitas características que hoje são comuns, mas há enormes diferenças devido às inovações tecnológicas dos media que transformaram a audiência em algo muito mais disperso, individualizado e privatizado.

Da Massa ao Mercado

Em 1939, Herbert Blumer apresentou um esquema onde a audiência era como uma nova forma de colectividade tornada possível pelas condições das sociedades modernas, e chamou a este fenómeno uma “massa”. Este conceito captava as características essenciais das audiências, atraídas pelo jornal comercial e pelo cinema, e a audiência de massas era grande e muito dispersa. Não tinha sentido de identidade própria porque estava sempre a mudar e os seus membros não se conheciam. A relação comunicativa entre a audiência e os emissores das mensagens era calculista e sem compromisso.
Esta visão é pouco realista e é uma acentuação das características das condições de produção de massa e da distribuição das notícias e do entretenimento. O termo era geralmente pejorativo: chamar massa à audiência reflectia o medo da despersonalização, irracionalidade, manipulação e o receio de um declínio nos níveis culturais e morais.

1.1 – Redescoberta da audiência como grupo

Nos anos 40 e 50, houve um marco na história da teoria da comunicação de massas, quando a concepção atomista de uma audiência de massas foi desafiada por investigadores que provaram que o conceito de grupo nunca desapareceu. As audiências reais mostraram ser compostas por várias redes sobrepostas de relações sociais, baseadas na localidade e em interesses comuns. Os media de massas foram incorporados nestas redes.

1.2 – Audiência como mercado

A audiência da rádio e da TV tornou-se rapidamente um importante mercado de consumo para serviços e produtos. O termo “mercado” pode designar regiões servidas pelos media, categorias sociodemográficas, ou consumidores reais ou potenciais de certos serviços e produtos mediáticos. Este termo pode ser problemático: liga o emissor e o receptor numa relação calculista, ignora as relações internas entre consumidores e foca-se no consumo dos media mais do que na recepção. A visão da audiência como mercado é a visão “a partir dos media” e nos termos do discurso das indústrias mediáticas.

Resumo do texto 8 - Hirsch, Eric (2003) "New Technologies and Domestic Consumption"

Eric Hirsch pretende, neste texto, analisar a relação que existe entre as novas tecnologias e o consumo doméstico. O autor defende que existe claramente uma ligação histórica e social entre ambos, inserindo-se num padrão de longa-duração de tensão e acomodação: o consumo doméstico tem sido sustentado (e ameaçado), nos últimos 200 anos, pelas novas tecnologias.

É importante esclarecer aqui o conceito de novidade – new-ness – que coexiste numa tensão com o que está já estabelecido, o que é tradicional, tornando as tecnologias em algo simultaneamente novo e estabelecido. As formas de consumo doméstico são novas e estabelecidas de uma maneira análoga: as pessoas normalmente evocam formas de consumo novas e velhas no contexto doméstico. Além do mais, a distinção entre velho e novo torna-se visível na relação entre a tecnologia e o consumo doméstico como parte da própria auto-conceptualização.

O argumento central do autor é que uma ênfase explícita no consumo doméstico – que surgiu como um fenómeno da classe média entre o séc. XVIII e o séc. XIX – tem sido um projecto de auto-suficiência doméstica.

Hirsch divide os 200 anos estudados em 5 períodos específicos, mas sobrepostos:

· Revolução da velocidade – situada entre 1780 e 1850, refere-se à velocidade a que eram produzidos e transportados os bens manufacturados e a velocidade com que os consumidores desses bens os consumiam e transportavam;

· Crise de controlo – engendrada pelo período anterior, estende-se de 1850 a 1880, tendo sido formuladas estratégias sociais e técnicas para coordenar e integrar o conjunto de relações geradas entre a produção, distribuição e consumo de bens e serviços: entre as unidades domésticas e as ligações ainda mais profusas;

· Sistematização das estratégias sociais e técnicas – ocorreu entre 1880 e 1940, período durante o qual o ideal cultural, que emergiu primeiro cem anos antes, foi codificado nos espaços de subúrbios e tornou-se uma realidade para a maioria da população;

· Harmonização do “indivíduo/família” e da sociedade – entre 1940 e 1970, a sua “idade de ouro”, os processos de miniaturização tecnológica e de rápida expansão da electrónica de consumo aumentaram o seu ideal doméstico;

· Limitação de sistemas (sociais e técnicos) – esta limitação tornou-se explícita, tendo-se iniciado durante 1970 e espalhando-se até aos dias de hoje, e promulga a combinação de “escolha” individual e “convergência” tecnológica”.

Resumo Texto 11 - Lehtonen Turo-Kimmo e Pasi Maenpaa (1997) “Shopping In The East Centre Mall” (CONT.)

Segundo os dados empíricos reunidos pelos autores, a facilidade e a eficiência são os requisitos básicos que a maioria dos visitantes do East Centre Mall mais valorizam. Se o acto da compra não for simples e rápido, a experiência de shopping como um todo não será motivo de prazer e entretenimento.
Também muitas vezes a satisfação de ir às compras passa pelo lado social a que a actividade está associada. Esta sociabilidade pode ser tanto uma interacção não-pronunciada como algo que é consciente e verbalizado. Ir às compras pode por vezes ser uma maneira das pessoas fazerem algo juntas, e ao mesmo tempo, permite partilhar gostos e estilos. Assim, providencia um meio de criar e manter relações sociais, e desta forma o shopping afecta o processo de identificação social.

Os autores comparam ainda a actividade do shopping a um ritual, se for vista como uma sequência coerente de acções que criam e organizam as experiências dos indivíduos. Rituais são meios de comunicação e são importantes porque ajudam-nos a ter uma visão coerente sobre nós e sobre o ambiente/meio social em que nos inserimos.
Os centros das cidades são muitas vezes definidos pela intensidade do seu comércio, e o centro comercial simula e reproduz o centro da cidade compactado. O espaço contemporâneo da cidade respeita o espaço pessoal e a integridade individual.



O fenómeno da expectativa e antecipação tem também um papel central na actividade do shopping. Enquanto visitam o centro comercial, os clientes têm dois tipos diferentes de expectativas que podem co-existir. Primeiro estão à procura de algo em particular que esperam encontrar. Segundo, há uma abertura e uma curiosidade infindável perante tudo o que lhes é apresentado. Neste estado de espírito, qualquer coisa pode ser motivo de interesse para o consumidor. Assim, as características do shopping como actividade de lazer são a espontaneidade e a impulsividade.

Resumo Texto 11 - Lehtonen Turo-Kimmo e Pasi Maenpaa (1997) “Shopping In The East Centre Mall”


Este texto é sobre o East Centre Mall, em Helsínquia, na Finlândia, considerado o maior centro comercial da Escandinávia. Os autores tentam descobrir o que está por detrás do sucesso do centro enquanto espaço de consumo, analisando as práticas de consumo dos clientes e a forma de as motivar.
Reconheceram uma variedade de experiências e usos que estão associados aos centros comerciais.

O East Centre Mall abriu em 1992, e juntou as duas tendências de consumo que estavam a emergir desde a década de 80: o “oásis turístico” e o hipermercado. O centro é constituído por lojas, lojas de departamento, restauração, serviços e entretenimento, que vão ao encontro de todas as necessidades do cliente ao mesmo tempo que oferecem algo de novo.

O centro garante boas acessibilidades para os automóveis e os transportes públicos e providencia fácil acesso não só a todas as lojas como a serviços privados e públicos: cinema, piscina, parque de diversões, entre outros.
O objectivo do East Centre Mall é o de concentrar tudo o que o centro da cidade oferece, garantindo uma boa acessibilidade. A própria arquitectura do centro reproduz determinadas zonas da cidade.

Com os grandes centros comerciais, os clientes foram subitamente rodeados por uma maior quantidade de objectos que podem adquirir e foram autorizados a observá-los e tocar-lhes sem compromisso e sem a intervenção dos empregados das lojas. Num departamento comercial moderno, a interacção para negociação de preços perde o sentido, e como escreve Rosalind Williams: “a troca de palavras entre o cliente e o vendedor foi substituída por uma resposta passiva e muda do cliente perante os produtos”. Os preços fixos falam agora por si durante esse momento “mudo” que precede a compra.
Os clientes dos centros comerciais são deste modo libertados da interacção com intermediários e podem assim movimentar-se ao seu próprio ritmo de acordo com as suas vontades.

Ao definir-se o acto de shopping, em primeiro lugar deve-se ter em conta que no conceito de “compras por prazer”, o consumidor relaciona-se com todo o meio que o rodeia; ou seja, não é necessário que se adquira algo para se estar envolvido no acto de shopping.
A primeira forma de compreender o conceito de shopping foca a importância do divertimento e da actividade social (prazer). A segunda diz respeito ao lado mais simples da aquisição dos bens necessários (necessidade). No entanto é a junção de ambas que constitui o shopping (ou o “ir às compras”) no sentido aqui perseguido.

sábado, dezembro 16, 2006

Síntese da aula de 05.12.06

Síntese da aula de 05.12.06


Daniel Dayan: conceito de quase público.
Públicos em Dayan:

Políticos (procuram resolver problemas ao longo de um determinado período de tempo: noção de bem comum).
Fãs (procuram construir uma identidade colectiva)
De “gostos” (refinamento do público de fãs; está mais envolvido/integrado no gosto).

Públicos em Pierre Sarlin (via Dayan):
1. Construído por um meio, com sociabilidade e estabilidade
2. Capacidade de deliberação interna
3. Capacidade de performance
4. Os seus autores defendem valores
5. Os seus gostos traduzem-se em exigências
6. Forma reflexiva.


Públicos em Dayan (2):
Públicos de fãs
Públicos de Tv. Cerimonial (expressivos mais domésticos; ex. Casamento da princesa Diana).
Públicos das elites dos media europeus.
Públicos dos media de imigração.



Público: substantivo
Valores/comportamento e opinião pública: adjectivo.
Para Daniel Dayan, audiência é um fantasma, uma representação gráfica.
(artefactos inventados por sociólogos e membros dos institutos de estatística.

Síntese da aula de 12.12.06

Síntese da aula de 12.12.06

Referência ao livro de José Carlos Abrantes e Daniel Dayan.
Livro não disponível para a frequência a realizar dia 5 de Janeiro de 2007.

Resumo das principais ideias de Daniel Dayan.

Síntese da aula de 28.11.06

Síntese da aula de 28.11.06

“Viver a Telenovela”
Verónica Policarpo.

A novela destina-se a preencher o imaginário do público.
As paisagens levam as pessoas a quererem visitar o local da novela.

A novela é um produto cultural.
Transmitir emoções.

A telenovela brasileira tem uma forma narrativa que aproxima o tempo de ficção e representação, ficando bastante próximo da realidade.
Não é preciso vermos a telenovela todos os dias para ficarmos a par da história.
Distingue-se das novelas dos outros países por ter fantasia e bom humor.

Brasil vs. México:
A novela brasileira não recorre a uma fantasia extremista. Trata de gente com desigualdades sociais e gente comum.
A novela brasileira: campo experimental de temas, políticos ou tabu.

A Globo tem um grande peso técnico; caracterização; material; cenários; figurinos; actores; etc.

A novela portuguesa tende a imitar as novelas brasileiras.

Radio novela: ofereciam gratificação às mulheres que queriam trabalhar.

As telenovelas estimulam a desempenhar papéis semelhantes. Servem de modelo:
Usos e gratificações.
Televisão e novela: companhia.

O livro em análise trata da área de sociologia da família.
Género Homem – Mulher. Trajectória familiar.

Telenovela como forma narrativa:

O modo como cada um de nós interpreta a novela
Homens e mulheres interiorizam as formas e valores do amor romântico
Os casados não revelam o amor romântico.

Síntese da aula de 21.11.06

Síntese da aula de 21.11.06

Audiências de Televisão:
Christine Geraghty

Quatro tipos de estudos:
Texto específico: programa
Tipo específico de espectador: social; localidade; etc.
Contexto tecnológico


Modo de ver: metodologias
Etnografia: entrevistas e inquéritos

Síntese da aula de 17.11.06

Síntese da aula de 17.11.06

Centros comerciais consumidores
“Lifestyle centre”

1985:
tipos de centro comercial:
Vizinhança: ex. Turim; Nevada; Fonte Nova
Comunidade: ex. Jumbo; Continente.
Regional.

Estudos quantitativos que se realizam nos centros comerciais:

Mall Tracking e Geo Tracking
Inquéritos que custam muito dinheiro.

Ex. Centro Comercial Colombo:
400 Lojas; 120 000 m2
2003 Visitado por 30 milhões de pessoas.

Mall Tracking: Mall: conjunto de lojas/empresas, normalmente fora das cidades (ex: Outlet).
Inquérito realizado uma vez por semestre dentro do centro comercial, feito às pessoas que frequentam o centro comercial.
Inquérito feito de forma estratégica, colocando os entrevistadores nas portas por onde entram os visitantes que vêm de metro, autocarro ou parque de estacionamento.
Especial atenção para a hora e dia.

Geo Tracking: Anual. Cinco mil entrevistas por telefone (área da cidade e arredores).

Tipos de públicos:
A:
Interessados
Racionais
Ambiciosos (não têm dinheiro suficiente para comprar, mas querem!)
Passeantes

B:
Compulsivos (não vão para consumir, mas consomem)
Esporádicos
“andam na moda” (frequentam o centro comercial regularmente)

Síntese da aula de 07.11.06

Síntese da aula de 07.11.06

Nesta aula foi feita uma introdução a mais um dos textos da Sebenta:

Sociedade Mcdonalizada:

Características:
Velocidade de atendimento
Volumes elevados servidos
Baixos preços
Menu reduzido
Linha de montagem


George Ritzer:

Just-in-time: eficiência
Drive through in:
Calculabilidade
Previsibilidade
Controlo
Estandardização

Homogeneidade

Síntese da aula de 31.10.06

Síntese da aula de 31.10.06

Análise do autor Benedict Anderson (comentário e exposição, por parte do professor):
Conceito de comunidade:
Imaginada
Limitada
Soberana

Comunidade imaginada: O que é?
Imaginamos as características das pessoas de uma certa comunidade, mesmo não conhecendo.
Imaginamos a língua, os costumes, etc.
Partilha de ideias, convicções dos membros de uma comunidade.

As comunidades quando se intitulam “soberanas” têm legislação/instituição próprias.


Síntese da aula de 27.10.06

Síntese da aula de 27.10.06

Referência a um dos textos da Obercom.
Referência à estrutura e parâmetros do trabalho de grupo a entregar dia 11 de Dezembro.

Sugestão de avaliação dos Blogues da turma CS1.

Síntese da aula de 24.10.06

Síntese da aula de 24.10.06

Nesta aula falamos da produção noticiosa e de entretenimento, assim como na fuga de informação.

Foi aconselhado pelo professor a leitura de um texto da Sebenta referente a este tema.

Fuga de informação: O que é?
Informação retirada de um contexto que se queria secreto.
Passa do domínio privado para o domínio público, sem que tenham aceite torná-la pública.

Regra geral, as fugas de informação são intencionais.

“Balão de ensaio” o que é?
Informação estrategicamente lançada para ver e conhecer a reacção pública.


Fuga de informação e “Balão de ensaio” são ambas, formas de:
Preparar; informar; discutir; a opinião pública.

Ex: Aumento do preço da electricidade:

A Fonte lança a informação de 16% de aumento.
Os jornalistas informam a população dos 16%.
O público lê os 16%.

O público reage e contesta o aumento com os jornalistas.
Os jornalistas aproximam-se das fontes.
As fontes baixam o aumento da electricidade.

O jornalista e a fonte precisam um do outro: Porquê?
Porque existe um interesse mútuo.
O jornalista está sempre à procura de nova e exclusiva informação.
A fonte precisa do jornalista para transmitir informação.

domingo, dezembro 03, 2006

Resumo Texto 10 – Ritzer, George (2004) “The McDonaldization of Society”

Segundo o autor deste texto, a expansão da cadeia de restaurantes McDonalds influenciou fortemente a sociedade contemporânea ao actuar em muitos dos seus diversos sectores, para além da indústria da restauração, alterando ritmos e estilos de vida um pouco por todo o mundo.

Este processo reflecte-se num fenómeno que influencia o trabalho, a educação, a cultura, a saúde, entre outras áreas da sociedade. O crescente domínio dos princípios da cadeia McDonalds, que ultrapassa os limites da sua indústria, é assim denominado por “McDonaldização da sociedade”.

Ao nível empresarial, o seu modelo de franchising tem sido adoptado por diversas indústrias, levando as suas organizações a privilegiar os princípios de eficiência, cálculo, previsibilidade e controlo através de tecnologia não-humana. Estas características de racionalização, que fundamentam o modelo da McDonalds, traduzem-se na rápida satisfação dos clientes através do conhecimento prévio do produto e da redução dos custos e dos tempos de espera, ao mesmo tempo que asseguram uma variedade de serviços semelhante em todo o mundo. Isto é alcançado com a implementação de uma organização baseada na rotina e na mecanização e implica uma mudança dos hábitos de vida e consumo da população.

Muitas empresas de outros sectores têm seguido este modelo, como é o caso da Ikea (mobília/decoração), da Toys R Us (brinquedos) ou da Gap (vestuário), e todos nós somos testemunhas do seu desenvolvimento e êxito. Como estas, também cadeias de cafés, lojas de uma infinidade de ramos, grandes superfícies e serviços públicos utilizam este método, reduzindo as opções e obrigando o cliente a escolher apenas o que disponibilizam.

A McDonalds ocupa um lugar fulcral na cultura popular americana e o seu sucesso, que se expandiu pelo mundo, tornou-a num símbolo global. É comum a sua referência na televisão, em filmes e livros, sendo a sua marca reconhecida em qualquer parte do mundo. A McDonalds está presente em qualquer auto-estrada, em 120 países, servindo cerca de 54 milhões de clientes por dia. É por isso indiscutível e inevitável a consequente familiaridade desta marca, enquanto símbolo da cultura americana e da comodidade oferecida pelos restaurantes de fast-food.

domingo, novembro 19, 2006

“O jornalismo português em análise de casos”, de Rogério Santos (2ª e última parte)

Caracterização das fontes segundo os jornalistas:

Um jornalista bom conhecedor de fontes consegue analisar as mesmas, em diferentes níveis: o primeiro é o “institucional” onde o jornalista trata bem a fonte (poder político, empresarial, entre outros), o segundo nível é o do “assessor de imprensa” onde existe acesso ao líder ou ao patrão, por fim, o terceiro nível, é o do “técnico de relações públicas” que o próprio jornalista não aprecia pois “empata” o trabalho do mesmo.

Divisão de fontes por parte dos jornalistas:
Três categorias:
a) Oficiais: governo; instituições de carácter governamental ou privado; grandes empresas.
b) Regulares: empresas, associações, líderes de opinião, analistas.
c) Ocasionais ou acidentais: opinião de um indivíduo sobre determinado acontecimento.

Estratégias de acesso:

Os jornais têm como função seleccionar correctamente as fontes, de acordo com os critérios de noticiabilidade. As fontes têm que promover algum sensacionalismo e dramatismo. Muitas vezes a fonte procura controlar situações negativas. As fontes mais poderosas têm lugar garantido nas páginas dos principais jornais, televisão e também rádio, enquanto as empresas mais pequenas usam as fontes, como meio e luta de divulgação dos seus acontecimentos.
Os semanários e as televisões dão um melhor tratamento ao conteúdo das fontes.
Quando há falta de tempo por parte dos jornalistas para tratarem o factor noticioso de uma fonte, esta ajuda, fornecendo dados concretos como fotografias, recortes de jornais, dossiers, etc.
As fontes libertam informação de acordo com o seu interesse, i.e., quanto menos informação existir sobre determinado assunto, mas informação pode fornecer a fonte.
A definição de fonte varia conforme a entidade que analisarmos.


Rotinas produtivas das fontes:

As fontes devem sempre dizer a verdade ao repórter. A mentira fá-la perder veracidade e credibilidade junto dos jornalistas e opinião pública. Por vezes os responsáveis governamentais libertam em anonimato as fontes de informação como meio de testar as reacções da opinião pública. É aqui que entra um dos termos falados e discutidos na aula: “balões de ensaio” (informação lançada de forma propositada que procura a opinião do público).








“O jornalismo português em análise de casos”, de Rogério Santos. (1ª parte)


Análise do texto “Práticas produtivas e relacionamento entre jornalistas e fontes de informação” de Rogério Santos. “O jornalismo português em análise de casos”. (texto nº 7 da sebenta)

Este texto dá-nos a conhecer a relação existente entre fontes e jornalistas.
É feita toda uma recolha e abordagem de autores como Ericson et al; Hess; Gitlin; Anderson, entre outros, com o objectivo de alcançarmos uma melhor compreensão sobre o tema em questão.
Curiosamente este texto foi escrito pelo nosso professor da cadeira de 3º ano de Comunicação Digital, Rogério Santos.
Apesar de termos tratado este tema na aula de dia 24 de Outubro, este texto da sebenta permitirá completar o que “ficou por dizer”.

Vamos então traçar os aspectos mais importantes, de uma forma objectiva e resumida.

Fontes de Informação:

Autores como: Hess, Ericson et al, Schlesinger e Tumber; têm vindo a estudar este ponto, defendendo cada um a sua teoria.
Ericson et al defendem que a relação entre fontes e jornalistas é positiva, tendo como objectivo uma entreajuda e autonomia.
Hess acredita que o jornalista tem mais poder sobre a fonte, enquanto que Schlesinger e Tumber afirmam existir um poder desigual entre as fontes e no acesso dos jornalistas, analisando mais profundamente as fontes policiais e organizações judiciais.


Definições de fonte de informação:


Segundo Gans (1979/80), a fonte de informação é o “meio” de fornecer informação ou gestão noticiosa ao jornalista, podendo resultar de observação ou entrevista (por parte desse mesmo jornalista).
A fonte “ajuda” o jornalista quando este não pode presenciar ou testemunhar um facto que queira publicar. Fornece a informação necessária, não sendo preciso ter o jornalista “em campo”.

Ericson et al caracterizam as fontes em quatro categorias:
a) Jornalistas: aqui o jornalista acrescenta com frequência os seus pontos de vista nos textos para enquadrar e fazer uma ligação lógica e convincente entre os comentários e as fontes associadas. Os jornalistas também podem ser fontes de informação.
b) Porta-voz de instituições governamentais: dominam os noticiários. São fontes ligadas à área da administração e justiça.
c) Porta-voz de instituições não governamentais: empresas, associações de consumidores, entre outras. Vivem em “estado de alerta” com receio do que os jornalistas possam dizer sobre as mesmas. Tentam esconder processos menos vantajosos.
d) Fontes individuais ou cidadãos individualizados: classificações de Ericson et al: “reacção pública a acontecimentos já enquadrados pelas fontes institucionais nas notícias; críticas a políticas ou práticas com impacto negativo directo sobre eles; expressão de emoções face a acontecimentos críticos ou pontos de vista particulares nas decisões oficiais que apoiam as perspectivas (pessoal e profissional) dos jornalistas.”

quarta-feira, novembro 15, 2006

“O cinema português e os seus públicos” de Manuel José Damásio


“O cinema português e os seus públicos” de Manuel José Damásio. (texto nº 6 da sebenta)

Este estudo procurou conhecer e analisar as preferências e práticas culturais dos portugueses, nomeadamente no que respeita ao consumo de cinema português.
É um texto que junta várias teorias como McQuail (talvez o mais conhecido pelos alunos de Comunicação Digital da Universidade Católica Portuguesa), uma vez que nos alerta para a existência e clara distinção/definição de audiência.

Temos então a definição de Audiência que nos diz, ser um grupo ou conjunto de pessoas que num determinado momento partilham o mesmo evento mediático, como uma peça de teatro, espectáculo, ou até mesmo algo em formato “mediatizado”. (esta definição já nos é familiar, à parte do texto em analise).

Podemos também considerar audiência, o grupo de indivíduos que partilham as mesmas bases sociais e culturais, mantendo, na maioria o mesmo comportamento.

Destaque também, para a importância espacial na formação, conhecimento e caracterização de uma audiência.

É feita, uma abordagem às tecnologias como criadoras de públicos e audiências, na medida em que cada um nós, ao usar em simultâneo determinada tecnologia, está a formar uma audiência. Assim sendo, fazer parte de uma audiência (“espacialmente” falando) é o mesmo que fazer parte de um evento mediático onde as pessoas se juntam, através de um aparelho tecnológico e partilham as mesmas actividades e informação.

Para uma boa análise de uma audiência, devemos avaliar os aspectos do evento mediático que suscitaram interesse e influência nos participantes dessa mesma audiência.

Segundo McQuail: As audiências são produto de um determinado contexto social.

Breve noção de uma análise quantitativa (ratings), que procura uma mediação de audiências (delimitando a composição geográfica e demográfica, atendendo à massa de indivíduos que forma essa mesma audiência sendo possível identificar os seus comportamentos). Factor de compreensão: exposição.

Breve noção de análise sociocultural, onde o mais importante é compreender o significado cultural das actividades (a curto, médio e longo prazo). Análise se conteúdos, influências pessoais, usos e formas de gratificação, projecção de mudanças sociais e culturais profundas e significativas.

Nós, indivíduos, procuramos os media como meio capaz de satisfazer as nossas necessidades, enquanto audiência. Os media atraem o público e o público procura os media. Satisfação de necessidades e gratificação.

sábado, novembro 11, 2006

As séries de comédia na SIC Radical


Aqui está a programação das séries de comédia da SIC Radical:




A Vida É Injusta
:
Sábado - 08h00

Kenny & Spenny:
4ª - 21h00 e 10h00
6ª - 02h00
2ª - 01h30

Valha-me Deus:

5ª - 21h30
6ª - 05h30 e 09h30
Domingo - 12h00

Funland:

Sábado - 01h30

Resumo do texto "Public Service Broadcasting: What Viewers Want"

O ITC (Independent Television Commission) lançou em 2000 uma grande consulta sobre o papel da transmissão de serviço público (Public Service Broadcasting – PSB), dedicada exclusivamente à redefinição do conceito e do valor da transmissão de serviço público na era digital.



A metodologia utilizada para a pesquisa foi a seguinte:

  • Comissionar três júris de cidadãos – que teriam a oportunidade de ouvir os argumentos de um grupo de testemunhas especialistas que trabalham na indústria, ou com um interesse em transmissão, e de questionar a sua postura relativamente ao PSB;
  • Estudo – foi redigido um questionário com a informação recolhida pelos júris de cidadãos e colocado no painel “Broadcasters Audience Research Board’s Quest”, constituído por 6000 pessoas, com o intuito de determinar diferenças de opinião quanto ao PSB entre os telespectadores que têm acesso a canais abertos e aqueles que têm acesso a canais pagos;
  • Workshop de crianças – com idades compreendidas entre os oito e nove anos, as crianças visionaram vários programas e deram as suas opiniões sobre o que seria boa televisão e má televisão;
  • Entrevistas executivas com líderes de opinião – deputados, jornalistas e académicos foram entrevistados, bem como executivos de outras indústrias e organizações de consumidores;
  • Documento de consulta pública – foram recebidas várias reacções de diferentes organizações, grupos e indivíduos ao documento de consulta do ITC sobre transmissão de serviço público;
  • Reuniões abertas – o ITC organizou 15 reuniões abertas em todo o Reino Unido, convidando pessoas de interesses e vivências diferentes.


No geral, as conclusões foram as seguintes:

  • Houve concordância geral sobre as características do PSB, sendo as qualidades mais indicadas: diversidade, alta qualidade, educação, inovação, entretenimento, informação, produções originais, pluralismo, acessibilidade, inclusão de minorias e acesso livre;
  • A grande maioria dos inquiridos acreditam fortemente nos princípios chave do PSB e sentem que ainda são válidos na era de multi-canais;
  • Três quartos dos telespectadores de cabo/satélite disseram que alternavam entre os canais adicionais e canais abertos para ter uma programação de fim de tarde variada;
  • Os canais mais vistos pelos subscritores de canais pagos eram BBC1, ITV, BBC2 e Canal 4, e o canal por satélite mais visto era o Sky 1;
  • Todos concordaram que as exigências do PSB eram pré-requisitos para uma televisão boa e de qualidade, sendo que poucos acreditavam que as forças do mercado podiam sozinhas oferecer programação diversa, de alta qualidade e inovadora;
  • A generalidade das pessoas apoiam a regulamentação, sendo que todos consideram que a BBC deve ser incluída na mesma estrutura reguladora que os outros canais;
  • Os canais comerciais sentem que deveria haver alguma auto-regulação através da qual o transmissor possa expor a escala e padrão dos seus serviços, incluindo gosto e decência, e negociar esses termos com o regulador;
  • As notícias e a ficção foram considerados os dois géneros mais importantes que a ITV deveria continuar a transmitir;
  • A programação regional foi muito tida em conta pelos júris de cidadãos, havendo preocupação pública sobre a concentração dos media e medo de que por causa disso a televisão regional se perdesse;
  • Os júris consideraram a alta qualidade e a programação infantil variada vitais na ITV; as crianças que tomaram parte no workshop tinham consciência que nem todas as crianças tinham acesso a canais pagos, e gostavam da variedade de programas disponível na programação pública, apesar da popularidade dos canais pagos;
  • Os júris no geral apoiam a programação para minorias, tais como programas de arte e religião;
  • O público mostrou-se unânime no apoio aos subtítulos, concordando todos que o acesso para as pessoas com deficiências auditivas era um serviço essencial que o PBS deveria prestar.

“A Cultura das “Boas festas” – seus vínculos, seus públicos.”

“A Cultura das “Boas festas” – seus vínculos, seus públicos.”
José Machado Pais.


Cultura massificada de Boas Festas: conjunto de representações que a sociedade tem em si mesmo; o público é fenómeno, produto e produtor desta sociedade.

Natal: celebração religiosa ou consumista?



Opinião pessoal:

A cultura massificada de Boas Festas existe e continuará a existir. Somos fruto e construtores de uma sociedade de consumo cada vez mais fútil e superficial.
Alimentamos a época festiva que é o Natal, como meio e “desculpa” para ter, pedir e oferecer o que há tanto queríamos.
Não digo estar incorrecto, pois as crianças dos dias que correm, não têm culpa da força publicitária e consumista existente. Para as crianças do nosso século e já do meu tempo, o Natal era e é sinónimo de “brinquedos”.
Hoje o Natal para os mais crescidos é sinónimo de telemóveis topo de gama e para outros, peúgas e cuecas.
Será para mim e, a meu ver, impossível transportar esta sociedade e todo este público consumista para outras formas de envolvimento cultural. Se tal fosse feito, teria que ser muito bem pensado e estruturado e acima de tudo convidativo e aliciante, pois hoje em dia, nada se faz em troca de nada.
Teríamos provavelmente que procurar uma forma de envolvimento cultural letrada de senso comum e mediática. Quero com isto dizer, que teria que ser algo relacionado com as figuras mediáticas e presentes nas nossas televisões e imprensa, algo estrategicamente transformado em cultural, sem o ser de verdade.
Hoje em dia a Floribela e os Morangos com Açúcar movem e arrastam multidões, são os fenómenos portugueses. Qualquer português em qualquer canto do país saberá quem são, ou já terá ouvido falar. Este consumo e esta “alienação” (aos dois fenómenos referidos) pode ser vista, infelizmente, como um “Acontecimento Cultural”, pois vivemos numa sociedade em que muito boa gente acredita que aqui, encontra cultura e que é um ponto positivo para o desenvolvimento do nosso país e das mentalidades dos jovens portugueses.
Fica “bem” numa sociedade consumista como a nossa viver e deslumbrar-se com a época Natalícia e cair também, na rede de consumo, pois é uma data divina, nasceu Jesus, ninguém pratica o mal, comprar/oferecer/consumir são sinónimos de alegria, paz e amor pelo próximo.

Análise do texto “Experiência estética e formação de públicos” de João Teixeira Lopes.


“Experiência estética e formação de públicos” de João Teixeira Lopes, professor e sociólogo na Faculdade de letras da Universidade do Porto. (texto nº 5 da sebenta).

Neste texto é possível conhecer os diferentes tipos de públicos existentes e qual a percepção de cultura e arte dos mesmos, à luz da teoria defendida por vários autores, como é o caso de Hans Robert Jauss.

Públicos e modos de recepção: pluralidade:

Vejamos aqui os públicos da cultura, caracterizados por três categorias:

H – Habituais: percentagem da população portuguesa com estudos e formação elevados; qualificados; jovens; “fruto de um capital cultural consolidado”.
Segundo Bourdieu, esta categoria dá nome aos “novos intermediários culturais”, tendo um papel fundamental na divulgação e produção de cultura. Estas são feitas de criatividade e modernidade elevadas, criando um elo de ligação entre produtores e receptores bastante positivo, servindo quase uma “sintonia perceptiva”. “Criação de consagrações culturais contemporâneas”.

I – Irregulares: maioria jovem; público de mentalidade e cariz modernos; habilitações literárias, elevadas.
Podem estar expostos ao fenómeno de regressão cultural:
.Os membros da família podem não dispor de estudos e formação elevados assim como não adoptarem hábitos de saídas e absorção culturais.
Assim, a relação destes jovens com a cultura torna-se numa recepção “oblíqua” e “distraída”, estética de algum modo e não artística, reflexo da “economia mediático-publicitária”.

R – Retraídos: baixo nível de estudos e escolaridade; “práticas doméstico-receptivas” e de “sociabilidade local”; jovens e idosos na sua maioria.
É um público que não se move para consumir para lá da sociedade de consumo ou dos meios culturais locais.

Análise do texto “Experiência estética e formação de públicos” de João Teixeira Lopes, texto 5. (2ª parte)

Hans Robert Jauss: Reflexão estética:
Pontos-chave, da teoria defendida por este autor:

Estética da negatividade: Adorno, escola de Frankfurt e Idealismo Alemão, ambos marcados pela tradição platónica:

1º. Na era do capitalismo de massas, a fruição artística é equiparada ao consumo da gastronomia ou pornografia, formando uma necessidade e procura simplesmente estéticas e alimentando desejos artificias criados unicamente pela sociedade de consumo.
Segundo Eco, esta estética da negatividade é formada aquando a não compreensão e percepção da arte. Aqui declara-se que não “se percebeu” o que era a arte, pois a arte de compreensão fácil é resultado de uma derrota e fracasso.
Idealismo Alemão: Estética Kantiana: reacção ao platonismo:
“O Belo é mediador de uma realidade supersensível mas, em simultâneo, evoca a Verdade de uma transcendência perdida”. A Arte é um todo, singular, individual e autónomo, não necessita de estar aliada ao Belo.

Apologia da Fruição estética enquanto função social da arte:

A arte não deve nem pode ser resumida ao gosto e consumo geral.
A arte é um acto em construção; “fazer arte” é construir com poder e saber, aqui, a compreensão, a fruição e a acção estéticas fazem parte da mesma operação.
Para o criador, a obra de arte é uma solução de um problema que tem várias soluções possíveis (diversas interpretações), sendo para o receptor uma espécie de jogo, um desafio.
A obra é e será sempre, aberta e incompleta.

Fruição e Corpo:
A comunicação e o corpo.

A nossa percepção/observação reflecte-se da emoção.
Emoção essa que identifica um “estado de alerta”.
As disposições afectivas preenchem e completam o receptor quando em contacto com determinada obra.
Ao entrarmos no mundo da construção da arte, somos espontâneos e quase transparentes, o que não significa ignorância ou má consciência, mas sim, elemento fulcral para a designação/construção/caracterização de novos públicos em novas e diferentes camadas sociais.

A experiência estética é revelada e alcançada, quando partilhamos novas modalidades de festa urbana, participamos em processos criativos de foro pedagógico, entre outros.


Sem as “boas maneiras” ou a desordem do riso:

A existência de públicos chamados “improváveis” demonstra que a obra de arte é transparente e está sujeita a não uma mas a várias verdades (interpretações) e que essas mesmas percepções da obra são de um período de tempo relativamente curto, estado sempre em constante mudança e aceitação.